15 de ago de 2015

[Resenha] A Morte de Sarai

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Autora: J. A. Redmerski

Editora: Suma de Letras

Ano de publicação:  2015

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Sinopse: A autora do best-seller de "Entre o agora e o nunca" e "Entre o agora e o sempre" traz uma história de paixão e sobrevivência. Sarai era uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte. Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo. Em “A Morte de Sarai”, primeiro volume da série Na Companhia de Assassinos, quando as circunstâncias tomam um rumo inesperado, os dois são obrigados a questionar tudo em que pensavam acreditar. Dedicado a ajudar a garota a recuperar sua liberdade, Victor se descobre disposto a arriscar tudo para salvá-la. E Sarai não entende por que sua vontade de ser livre de repente dá lugar ao desejo de se prender àquele homem misterioso para sempre.

“Duvido que um dia eu consiga entender os últimos nove anos da minha vida, e menos ainda os últimos dias. (...)”

Sarai, apesar de ter crescido em meio a drogas e sexos, era uma jovem que tinha sonhos, como qualquer jovem da sua idade. Nunca teve a presença da mãe, que era viciada, e muito menos do pai, que ela nunca conheceu. Aos 14 anos, sua vida muda drasticamente ao ir embora para o México, onde ela passa a ser mantida refém. Aquela jovem, que teve uma infância conturbada, sem amor e que ainda assim acreditava em sonhos impossíveis, passou nove anos de sua vida vivendo em meio a morte, ao medo e a prostituição. A cada dia que passava Sarai ia perdendo uma parte de sua alma – a parte pura e inocente.

Victor é um matador profissional que faz parte de uma Ordem. A vida fez dele um homem frio e até então sem sentimentos. É através dele que Sarai vê uma oportunidade de “voltar para casa”. Ela vê a oportunidade de ser livre e de ser uma garota normal, longe do mundo sombrio em vive.

Ao contrário do que esperamos a relação de Sarai e Victor é muito mais complexa. A cada dia que passam juntos, ambos descobrem que são mais parecidos do que imaginam. Destruídos pela vida. É ao lado de Victor que Sarai descobre que jamais será a garota normal que ela tanto desejava ser.

“Mas o primeiro assassinato é também aquele que reduz pela metade as chances de se levar uma vida normal.”

O livro gira em torno da vida de Sarai e Victor. Nunca tinha lido um livro em que os personagens fossem tão obscuros e com uma vida tão vazia. Apesar de estarmos falando de uma ficção, não é difícil presumir que a realidade de Sarai é a mesma de várias mulheres espalhadas pelo mundo, que estão sujeitas a vários tipos de violência, sendo privadas de vida digna e assim com Sarai perdendo a cada dia um pouco de suas almas. E mesmo com todos os acontecimentos fortes do livro, eu ainda tinha esperanças – mesmo que poucas – de um final feliz.

A história ainda traz um romance sombrio e doloroso. Ambos marcados pelo morte, não conhecem o verdadeiro significado da palavra amor. Não conhecem o sentimento. Eles se preocupam um com outro. Porém, amor é algo que não está no vocabulário de nenhum deles. E é isso que deixa o leitor com o coração saindo pela boca. Sarai e Victor já sofreram tanto que você espera que eles encontrem a felicidade… a paz. Mas depois de tudo que eles passaram é, quase, maluquice pensar que eles podem ser curados.

“Eu não sou seu herói. Eu não sou a outra metade de sua alma que nunca poderia deixar nada de ruim acontecer com você. Confie sempre em seus instintos primeiro, e em mim, se você escolher, por último.”

Nesse livro, infelizmente, não espere que a mocinha vá mudar o herói. Que o amor vai conseguir muda-lós e que eles irão viver felizes para sempre. Esse livro não conta uma história de amor, mas sim a história de duas pessoas marcadas pela vida que a cada momento que passam estão perdendo um pouco da sua humanidade.

“Ela parece derrotada. Linda, suave e destruída de pé ali diante de mim, parcialmente vestida, à luz do luar que entra pela janela alta. Linda, mas derrotada.”

No geral o livro é profundo, triste e surpreendente. A narrativa da autora é ótima e capítulos são narrados por Sarai e Victor. A Morte de Sarai é o primeiro volume da série “Na companhia de assassinos”, composta por mais quatro livros.

Para quem gosta de livros reflexivos e que fogem do padrão clichê, essa é uma ótima opção. Espero que tenham gostado e para quem já tiver lido o livro, eu adoraria saber a opinião de vocês. Até mais.

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